
Figurinista e designer de moda do AfroExplo, Margot constrói sua trajetória a partir da memória, da cultura negra e da valorização dos saberes populares
Marcolina O. Ribeiro, conhecida artisticamente como Margot Ribeiro, é criadora de moda afro-brasileira contemporânea, produtora cultural, figurinista e designer de moda. É também uma das idealizadoras do AfroExplo, iniciativa do Instituto Cultural Congo Nya dedicada à valorização da identidade, da cultura e da beleza negra por meio da moda.
Sua relação com a criação começou ainda na infância, no interior do Piauí, durante a década de 1980. Na época, Margot acompanhava novelas pelo rádio e imaginava as roupas utilizadas pelas personagens. Mais tarde, passou a assistir às novelas em uma televisão em preto e branco, na casa de uma vizinha, onde observava atentamente os figurinos, as cores e os acessórios.
As primeiras referências práticas vieram de sua família. Sua tia Alzira possuía uma máquina de costura de pedal e confeccionava roupas para Margot e seus irmãos. Sua mãe também teve papel fundamental em sua formação, ensinando-lhe a valorizar o trabalho manual, a produção do algodão no tear e a transformação do algodão cru em tecido.
Essas memórias familiares permanecem presentes em seu processo criativo e se unem às experiências vividas nas ruas, nas periferias e nas manifestações da cultura negra.
Em 2002, Margot conheceu o grupo Congo Nya, originário da República da Guiana, em São Sebastião, no Distrito Federal. O encontro representou um novo capítulo em sua vida. Ao lado de Sherwin Morris, seu marido, parceiro e colaborador, passou a aprofundar seus conhecimentos sobre as vivências e expressões culturais negras, transformando o antigo sonho de infância em uma prática concreta de criação e produção cultural.
Desde então, Margot tem se dedicado à concepção artística, à criação e à produção dos desfiles de moda afro promovidos pelo Instituto Cultural Congo Nya. Foi responsável pela construção do conceito e pela criação das peças apresentadas na 5ª, 6ª e 7ª edições do AfroExplo.
Seu trabalho envolve a escolha de cores, tecidos, formas e referências culturais, além do acompanhamento da execução das peças em parceria com costureiras experientes. Ao longo dessa trajetória, desenvolveu criações ao lado de profissionais como Maria do Socorro, Dete, Meire e Edineuza. Na Edição Especial de 2026, conta também com a participação de Thais Cândida de Souza e Ana Maria da Silva.
Para Margot, a moda afro-brasileira ultrapassa a estética. Ela representa identidade, memória, resistência, pertencimento e afirmação. É uma forma de valorizar corpos diversos, diferentes expressões de beleza e a presença negra nos espaços de criação e de protagonismo.
O AfroExplo, além de projeto cultural, é uma marca de roupas do Instituto Cultural Congo Nya. A iniciativa busca fortalecer uma moda criada por mãos negras, para pessoas negras, valorizando suas histórias, culturas, corpos e referências.
Na Edição Especial de 2026, Margot aproxima o streetwear do afro contemporâneo. A coleção dialoga com o hip-hop, as culturas urbanas e periféricas, as referências africanas e afro-diaspóricas, combinando conforto, atitude, ancestralidade e liberdade estética.
A literatura brasileira também integra seu processo criativo. Obras como Tenda dos Milagres e Jubiabá, de Jorge Amado; Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus; e O Cortiço, de Aluísio Azevedo, contribuem para sua compreensão sobre os saberes populares, a vida nas ruas, a diversidade dos corpos e as diferentes formas de vestir do povo brasileiro.
Criar moda afro-brasileira contemporânea, para Margot Ribeiro, é reconhecer a contribuição histórica da população negra para a moda, para a costura, para o artesanato e para os saberes populares. É transformar memórias e referências ancestrais em roupas carregadas de significado.
Por meio do AfroExplo, sua criação afirma que a moda também é cultura, conhecimento, trabalho, geração de renda e instrumento de transformação social. É vestir a própria identidade e garantir que as histórias, os corpos e as culturas negras ocupem um lugar de pertencimento na moda brasileira.




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